top of page

As várias faces da bioeconomia

Em setembro de 2022, foi publicado o material intitulado “Bioeconomia na Amazônia Análise Conceitual, Regulatória e Institucional” produzida por pesquisadoras do CPI/PUC-RIO e financiado pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS). Com este material foi possível observar que a bioeconomia é um conceito em formação, pois ele se presta desde os setores intensivos em alta tecnologia a atividades extrativistas de produtos florestais não madeireiros. Neste material é possível observar diferentes conceituações, visões e até políticas públicas para a bioeconomia no Brasil. Contudo, a mensagem que trazemos de mais importante para construção deste texto é “as 'diferentes' Amazônias requerem diferentes visões da bioeconomia”.


Ao tratar da Amazônia no aspecto seja por sua vez internacional, legal (amazônia brasileira) ou somente um dos Estados da Amazônia Legal, como no caso do Estado do Amazonas, requer um processo que poderíamos chamar de sub conceituação. Isso porque a bioeconomia é uma realidade enquanto matriz econômica de forma global. Dados da Comissão Europeia apontam que setores ligados à Bioeconomia nesta região movimentam 2,3 trilhões de euros/ano e geram 18 milhões de empregos (ou 8,3% do mercado), enquanto a contribuição para o PIB europeu é de 620 bilhões de euros (4% do PIB regional). Enquanto que no Brasil, a UFRJ estimou em 2016, que a bioeconomia movimentou 286 bilhões de dólares, na época significava cerca de 14% do PIB. Para o contexto da amazônia, tratamos a passos largos adequações de seu conceito, hoje se podemos falar um “case de sucesso” da amazônia brasileira que foi entregue ao mundo, nós somos capazes de nomear que é o açaí, fruto este que perpassa por processo de valor agregado desenvolvido nas universidades, atribui valoração às comunidades e extrativistas assim como alcança processo de escala industrial servindo mercados estadunidenses, canadenses dentre outros por aí afora.


No entanto, já passamos do prazo de compreender que só o açaí não é suficiente. A Amazônia Legal passa fome, carece de desenvolvimento e atenção ao seu povo urbano, ribeirinho e índigena. Nisso é importante fortalecer o diálogo a respeito do conceito de bioeconomia amazônica, pois não trata-se de um ativo único como vetor de desenvolvimento mas sim a formalização do ecossistema, da relação tênue entre universidades e hubs de pesquisa, poder público, a população dessa região incluído povos originários e ribeirinhos assim como o acesso ao capital e os mercados para escoamento dessa matriz. Além disso, é necessário atribuir ao debate fatores de inclusão. Já parou para se perguntar, nas iniciativas atuais, quantas mulheres, povos originários e tantos outros temos empregados na bioeconomia amazônica? Que valoração é entregue para a região? São tantas perguntas que necessitam desta inserção. Um exemplo com o qual podemos aprender bastante para empoderamento dos locais no Estado do Amazonas é o processo de construção do plano estadual de bioeconomia do Estado do Pará, sendo o primeiro Estado do Brasil a constituir tal plano, onde passou por processo de oitivas, participação popular e a construção de várias mãos até a formalização do seu decreto.


O plano surgiu de uma política já implementada, chamada de Política Estadual sobre Mudanças Climáticas do Pará (PEMC), que faz parte do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), que desenvolve pesquisas com o intuito de estudar as mudanças climáticas que impactam negativamente a flora do estado e que se faz necessária no contexto econômico, por conta da economia regional, tendo o extrativismo como auxiliar importante na vida dos ribeirinhos do interior do Estado.


A premissa do plano vai além da produção sustentável e tem como base também a criação de infraestruturas verdes, baixa emissão de carbono e a geração de empregos, onde a busca é por promover a sustentabilidade integrada à cidade, sendo um papel do Estado, como também da sociedade local. Esse exemplo de plano procura valorizar as origens, cultura e proteção do meio ambiente. A bioeconomia não se trata apenas de sustentabilidade, trata também da igualdade e do uso adequado dos recursos naturais, sempre respeitando a floresta, para que o plano seja mais inclusivo.


Seja quais forem as mudanças que uma sociedade tente incluir para promover a sustentabilidade do seu ambiente, é válido dizer que seja ela pouco ou muito significativa, já é um grande avanço e também um grande desafio a ser seguido, porém são com mudanças e com o uso de inteligência e inovação que são feitas oportunidades. A bioeconomia então preza pela biodiversidade, pela criação de renda sustentável e pelo conhecimento econômico e cultural, que deve ser ainda mais explorado.



Autores:


Antônio José de Paula Barroso Neto, acadêmico de Relações Internacionais da Uninter.

Larissa Ramos, acadêmica de Ciências Econômicas da UEA.



Editora Assistente e Revisora:


Marian de Assis Andrade, acadêmica de Ciências Econômicas da UEA.



Sob supervisão do economista:


Dr. Max Fortunato Cohen, Conselheiro do CORECON-AM, Registro 1.218.

62 views0 comments
bottom of page