top of page

Bioeconomia: uma nova dimensão econômica para Manaus

Updated: Jun 26, 2023

A bioeconomia pode contribuir para Manaus de diversas formas. Uma das mais importantes é a possibilidade de agregar valor aos produtos locais. Por exemplo, a produção de cosméticos, alimentos e medicamentos a partir de plantas e outros recursos naturais da região pode gerar mais empregos e renda para a população local. Outro exemplo é o setor de turismo. A bioeconomia pode ser uma forma de atrair mais visitantes para a cidade, especialmente aqueles interessados em ecoturismo e em conhecer a biodiversidade amazônica. Além disso, a bioeconomia pode ser uma oportunidade para desenvolver novos produtos turísticos, como trilhas ecológicas, observação de pássaros e passeios em áreas protegidas. Tomando como base a agregação de valores a produtos locais e também a expectativa de turismo, foi feito uma pesquisa sobre algumas cidades ao redor do globo terrestre que tiveram o ciclo econômico alterado após a aplicação da bioeconomia.


manaus centro

Joensuu é uma cidade finlandesa que adotou a bioeconomia como um dos seus principais setores econômicos. A cidade possui uma forte indústria florestal e madeireira, e está investindo em tecnologias inovadoras para a produção de biocombustíveis e produtos químicos a partir da madeira. Além disso, a cidade também está explorando o uso de biomassa para produzir energia renovável. Mantendo exemplos europeus, Amsterdam é uma cidade que está se destacando na área da economia circular, que busca maximizar o uso de recursos e minimizar o desperdício. A cidade está investindo em tecnologias avançadas para a produção de alimentos sustentáveis, como proteínas alternativas, e está incentivando a produção local de alimentos por meio de fazendas urbanas e comunitárias. Além disso, a cidade também está promovendo a economia circular em outras áreas, como moda sustentável e reciclagem de resíduos. Na América temos San Francisco uma cidade que está liderando o caminho na transição para uma economia mais sustentável. A cidade está incentivando a produção de alimentos orgânicos e a redução do desperdício de alimentos por meio de programas de compostagem e reciclagem. Além disso, a cidade também está investindo em tecnologias avançadas para a produção de biocombustíveis e está promovendo a economia circular em outras áreas, como moda sustentável e construção verde.


Há também exemplos de outras cidades que já estão investindo em bioeconomia. Em Copenhague, por exemplo, a cidade está trabalhando para se tornar uma líder mundial em soluções sustentáveis, incluindo a bioeconomia. A cidade criou um programa chamado "Copenhagen Bioeconomy Cluster", que visa reunir empresas, instituições de pesquisa e outros atores para desenvolver soluções sustentáveis baseadas em biomassa. Outro exemplo é a cidade de Kalundborg, na Dinamarca, que é conhecida por sua "ecoindustrialização". A cidade tem uma série de empresas que trabalham em conjunto para otimizar o uso de recursos e reduzir o desperdício. A bioeconomia é uma das principais áreas de atuação dessas empresas, que desenvolvem soluções sustentáveis a partir de biomassa.


A bioeconomia pode ser uma grande oportunidade para a cidade de Manaus. Ela pode contribuir para agregar valor aos produtos locais, atrair mais turistas e gerar mais empregos e renda para a população. Em seguida, alguns exemplos de como a bioeconomia pode agregar valor em dois produtos amazônicos:


O óleo essencial de copaíba é extraído da copaíba (Copaifera spp.), uma árvore nativa da região amazônica. Ele é amplamente utilizado na indústria cosmética e farmacêutica, devido às suas propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes. Além disso, estudos indicam que o óleo de copaíba possui atividade antimicrobiana, antifúngica e antitumoral (Oliveira et al., 2018). O preço do óleo essencial de copaíba pode variar de R$50,00 a R$200,00 por frasco de 10 ml, dependendo da marca e do local de compra, enquanto a semente de copaíba varia entre R$12,00 e R$25,00 um pacote de 100g com 170 unidades.


O preço da fruta do açaí pode variar de acordo com a safra e a região de produção. Em média, o preço por kg da fruta varia de R$8,00 a R$12. Já o preço da polpa do açaí varia de R$10,00 a R$20,00 por litro, dependendo da região e do fornecedor. Por outro lado, o preço do óleo essencial de açaí é significativamente maior em comparação com a fruta e a polpa. Um frasco de 30 ml de óleo essencial de açaí pode custar entre R$50,00 e R$150,00. Isso se deve ao fato de que a produção do óleo essencial de açaí é um processo mais complexo, envolvendo a extração do óleo a partir das sementes e o seu posterior refinamento para uso em produtos cosméticos e farmacêuticos. Enquanto a fruta e a polpa do açaí são relativamente acessíveis em termos de preço, o óleo essencial de açaí é considerado um produto de maior valor agregado, devido ao seu processo de produção mais complexo e suas propriedades únicas.


Por fim, é necessário que os governantes atuem de forma incisiva para que o plantio de árvores nativas a produção e a agregação de valores seja uma cultura local, infelizmente pouco se ver no tocante a isso. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEDECTI) tem o papel de aplicar tais medidas, afim de auxiliar o produtor a gerar empregos, renda e com isso melhorar a qualidade de vida dos manauaras. Vale pontuar, que a sociedade civil organizada, juntamente com entidades de classes, como é o caso do CODESE e do CORECON-AM, possuem papel crucial para isso e devem ser consultados.



Autor:

Douglas Santos, acadêmico de ciências econômicas da UFAM.





Sob supervisão do economista:

Dr. Max Fortunato Cohen, Conselheiro do CORECON-AM, Registro nº1.218.

64 views1 comment
bottom of page